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Romantismo ou Estupidez?

17 jul

Essa história de “Perdi meu amor na balada” nunca me enganou (AGORA todos dizem isso), na verdade até hoje não tinha visto nenhum dos dois vídeos, ou três. Tinha visto sim os anúncios no facebook, os compartilhamento e comentários de apoio apaixonado (que hoje SUMIRAM) de amiguinhos da minha timeline.

Bom, mas se você não está entendendo nada e quer que a história seja contada do começo em seus míiiiiinimos detalhes, vamos lá!

Era uma vez um moço, um desses com cara de pastel, sabe? Ele, sem saber mais o que fazer, posta um vídeo e faz uma página pedindo ajuda para encontrar seu grande amor: uma garota que conhecera naquela semana na balada, mas cujo número do telefone escafedeu-se. Se você não viu o vídeo, olha aqui a sua chance!

Sabe como nossa história continua? Os acessos, “curtir”, compartilhamentos e comentários de apoio se multiplicam. O moço recebe uma dica sobre a garota pelo facebook! Ai! Será? Será ela??? Ele se mune de buquê de rosas vermelhas e saxofonista, pronta para ser feliz! Mas, ahhh… não foi dessa vez.

Mas ainda não acabou! Olha aqui o desfecho da historinha:

Agora este post segue duas direções diferentes. Vá para A se quiser ler sobre o cenário e personagens; vá para B se quiser ler a moral do fim da história.

A:

Agora que a ação foi finalizada, vários comentários desapareceram, sendo substituidos por pessoas dizendo “eu já sabia!”

De modo geral, achei bem pensado e criativo. Claro, que a execução não foi lá aquelas coisas (como a atuação nada convincente do segundo vídeo), mas o primeiro vídeo realmente conseguiu envolver muita gente e deixar ao menos uma dúvida na mente de todos. Talvez se não tivessem feito o segundo vídeo, apenas plantassem comentários fakes dando dicas de onde a Fernanda poderia ser encontrada tivesse mais sucesso.

Na verdade, o que realmente eu questiono é a eficácia da ação. Já que ao menos os comentários e curtir das pessoas na minha timeline foram desfeitos (sim, fui procurar para ver se seriam mantidos!), será que o público não vai se sentir mais enganado do que envolvido com a marca? Meio que aquela história da grávida de quadrigêmeos de Taubaté, no começo todo mundo se comove e quer ajudar, e depois vira piada. Não me baseio só na minha restrita timeline, mas também na quantidade de “não gostei” do youtube que foi crescendo de um vídeo para o outro. Acho essa reação do público bem compreensível. O cara que aparece no final com o celular “salvando” o tal do Daniel, ao meu ver, meio que ridiculariza tudo aquilo que as pessoas admiraram: a exaltação do amor, a dificuldade, a dedicação. Ele mostra a foto no celular (o Daniel não podia usar um celular para anotar o número) e de repente fica tudo muito simples e fácil! Sim, eu sei que essa sensação de “simples e fácil” pode e até deve ser a intenção da marca, mas acho que é um “simples e fácil” do modo ruim, do modo sem valor, banalização.

Até onde se pode ir?

B:

A televisão já faturou em audiência com os fica comigos e beija sapos da vida, e agora a publicidade se desvincula desse tipo de programa para colher sozinha o benefício.até onde essa ideia fixa (plantada em nossas mentes por filmes e músicas desde o primeiro suspiro) de príncipe encantado. O que realmente assusta é o engajamento das pessoas naquela sensação de “Ai… que lindo! Por que não aconteceu comigo?” Vi mais de uma vez garotas (aparentemente bem resolvidas) na minha timeline dizendo “isso sim que é atitude!”, ou “Queria alguém igual a você. Boa sorte!” ao compartilhar o vídeo. E os comentários na página então? Homens e mulheres tocados, comovidos até o último fio de cabelo por uma história que poderia ser sua.

Deixando bem CLARO AQUI: não estou falando mal do viral, da estratégia (da execução do segundo vídeo, sim! rsrs) ou algo do tipo. Afinal, se um comportamento foi detectado e considerado como oportunidade, nada mais lógico que usá-loa  seu favor. O que estou questionando é o COMPORTAMENTO EM SI.

Além dessa ação de marketing (para evidenciar mais o comportamento), esse tipo de comportamento é o ponto de partida Rola ou Enrola e o Dança Gatinho do Rodrigo Faro Quem Quer Casar Com O Meu Filho. Sim, sei que tudo isso vem lááá do seu Sílvio com o grande Em Nome Do Amor ao som de Julio Iglesias. A questão é: ainda estamos nessa? Estamos tão necessitados de afeto ou seja lá o que for, que conseguimos acreditar no “amor” inabalável de poucas horas de balada ou o amor foi tão banalizado a este ponto?

Será que realmente, como muitos já previram, o contato social e as facilidades oferecidas pela rede das maravilhas que é a internet nos deixaram ainda mais carentes e “isolados” socialmente? Ou não só a internet, mas todo esse esquema de relacionamento instantâneo de ficar sem saber o nome, casar sendo que só conhece a pessoa há dois meses, sair junto uma vez e já considerar melhor amigo; será que por trás de todo esse comportamento globalizado e moderno ainda queremos uma serenata melosa e um buquê sem criatividade? Chama a Elis Regina aí! “Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais” ?

fecha o déja vu!

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Atrocidades do Mundo Virtual 2

9 jun

A continuação do post sobre o protesto em relação a marcha das vadias no facebook surgiu justamente por a imagem ter voltado, bom, digamos que voltou em uma nova versão…

Ah, e o lado tranquilizante é que não apareceram os comentários absurdos novamente, apesar de ter quase a mesma quantidade que anteriormente. E desta vez temos o print!!! yeah!

Com vocês… a famigerada imagem!

e o desabafo não fecha…

Atrocidades do mundo virtual

7 jun

Em dias em que Alexandre Pires é processado por sexismo enquanto o Pânico exibe mocinhas vestindo micro biquínis e fazendo provas de esforço físico (tipo revivendo a banheira do Gugu), todos os programas de domingo (e até de sábado) expõem dançarinas e assistentes de palco em roupas mais que apelativas, eis que euzinha me assusto com uma imagem compartilhada por vários, inclusive por mim, no facebook.

Na verdade não é a imagem em si que me assustou, mas os comentários (sim, fui boba o suficiente de ficar lendo os comentários – aliás não eram poucos – mas valeu como vivência antropológica).  A imagem era uma crítica sobre as fotos relacionadas à Marcha das Vadias que foram vetadas no facebook por conter conteúdo impróprio (S-E-I-O-S de uma protestante) comparando o nu de protesto e o nu do Carnaval (usando uma foto da Globeleza) e a aceitação deste tipo de imagem e repúdio do primeiro tipo. Os comentários em geral poderiam se encaixar em três grupos principais: 1- aqueles que falavam que é inaceitável esse tipo de imagem porque os seios eram caídos e feios, então não deveriam ser mostrados (eram seios normais de uma mulher negra – não que a raça em si faça alguma diferença, só a título de descrição); 2- os que falavam que era uma pouca vergonha esse tipo de mulher (vadias) saírem às ruas (não sendo informados o suficiente e nem  se preocupando em informar-se antes de criticar fervorosamente); 3- aqueles “ô lá em casa!” voltados para a Globeleza e de que o Carnaval sim que é uma real forma de expressão. Isso tudo incluindo xingamentos à mulher da imagem e aos 5% que comentaram tão chocados quanto eu.

Sei que o excesso de descrição não é confortável, mas é que não pude pegar um print porque, sim, a imagem foi vetada.

Eu fiquei extremamente chocada com a falta de informação de pessoas que têm acesso a internet e tempo livre suficiente para fazer comentários negativos, e, o mais pavoroso, a quantidade desse tipo comentário vindo de mulheres. E triste também ao perceber que meu choque era causado por exatamente aquilo que acuso os donos dos comentários: falta de informação. Senti-me tão fechada no meu mundinho de pessoas “normais”, que acho que esqueci que ainda há pessoas assim nesse mundo. Sabe quando você encara as coisas mais distantes como mitos (acredita, mas não pertence à sua época), e se assusta ao ver seu mito tornando-se real? Isso.

Na verdade faz alguns dias que isso aconteceu e no momento me conformei a só compartilhar a imagem e acrescentar a minha tristeza a ver aqueles comentários. Mas hoje, lembrei disso mais fortemente ao, vendo alguns blogs, cair no Escreva, Lola, Escreva, blog feminista que (olha a falta de informação aí gente!) eu não sabia que existia.

Para não alongar ainda mais o post, encerro por aqui, deixando a recomendação de que leiam o post da Lola que fala sobre este caso melhor que eu Aqui.

não fecha o desabafo, espalha por aí.

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