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Os Coelhos da Mente

31 maio

Atenção! Este post pode ser mais longo que os cabelos de rapunzel.

Ao ouvir a palavra COELHO qual a primeira coisa que lhe vem à cabeça?

Se você é uma mocinha, aposto que provavelmente pensou nisso:

(pensamento gordo…)

E se você é um menininho, deve ter pensado nisso:

(Ou algo parecido, né? 😉 vai que me chamam de sexista…)

Mas na verdade não é sobre esses tipos de coelho que este post versa. É sobre a simbologia em si dos coelhos.

Já parou para pensar em quantos filmes os coelhos são o foco principal ou o coadjuvante que faz toda a diferença? E a personalidade intrigante e meio bizarra que os cerca?

De acordo com alguns (pois apesar de ser o livro mais pop do mundo eu ainda não o li) a primeira referência intrigante sobre coelhos está na Bíblia, na qual ele é o sinal de que se está no caminho certo. Depois segue-se uma legião de personagens e referências, como o coelho branco de Alice (por que afinal ele estava sempre tão atrasado? e se não queria ser seguido pela Alice, por que então insistia tanto em pegar os caminhos por onde ela estava passando?); o Pernalonga (aposto que era ele que vivia na boca do Danny em O Iluminado ‘What’s up doc?”); e o Roger Rabbit então? (como vocês acham que ele conseguiu ficar com a Jéssica??? só sei que ele não era jogador de futebol…)

Estou dizendo… Chamem Wallace e Gromit! Os coelhos querem dominar o mundo! O Guia do Mochileiro das Galáxia nos alertava sobre a malícia dos golfinhos, mas é com outro mamífero que devemos nos preocupar.

Brincadeiras a parte, toda essa teoria da conspiração para introduzir um filme que vi este final de semana. Os mais entendidos já devem ter seguido o coelho até a verdade. Mas eu, que sou apenas meio entendida, nunca tinha ouvido falar sobre Donnie Darko.

pausa pro comentário!

Entrei no wikipédia pra fazer uma colinha (não queria errar Gyllenhaal, muitos L’s e A’s) e fiquei encantada com o avisinho de spoiler! O melhor é que tem avisinho no começo e no final também! rsrs

volta à conspiração!

Pois bem, não sei se eu que estava muito meditativa no dia ou se realmente o filme é intenso e lhe convida para reflexões sem fim. Quase empurrou Dogville para segundo lugar de filmes que eu sempre recomendei meus amiguinhos que assistissem em dias felizinhos para não ouvirem a voz da depressão.

Sinopse padrão: Donnie Darko é um rapaz que tem um amigo imaginário, um coelho de dois metros de altura chamado Frank, que lhe avisa que o mundo vai acabar em 28 dias. Na noite seguinte uma turbina de avião cai sobre sua casa e o coelho o obriga a cometer uma série de vandalismos.

Quando procurei sobre o filme, descobri um outro (que agora quero assistir!) chamado Meu Amigo Harvey, de 1950, e adivinhem quem é HARVEY! Sim, um coelho de dois metros de altura. Basicamente, o protagonista é um cara normal , mas bebe um pouco demais e tem um amigo imaginário, o coelho. Todos acham graça, menos sua irmã, que tenta interná-lo num hospício, mas acaba ela mesma internada. É um filme que brinca com a noção de sanidade. Achei curioso o fato de terem algumas ideias parecidas, talvez uma leve inspiração até, e de um filme dessa época desbravar um assunto um tanto quanto polêmico. Cartaz do filme pra ilustrar!

Mas voltando ao Frank, quero dizer, ao Donnie Darko. É um filme meio com cara de independente, apesar de ter Drew Barrymore no elenco. É um filme com completo ar anos 80, incluindo trilha sonora (love it!), figurino e principalmente cabelos da época, apesar de ser de 2001. É surpreendente até mesmo pelo final (única coisa que eu não gostei do filme). Merece ser um clássico cult.

Na sinopse diz que Frank o obriga a fazer uma série de vandalismos, mas eu discordo. O primeiro motivo é que ele não é “obrigado”, ele opta por fazer todas as coisas que o coelho quer como opção para participar e, sobretudo, saber qual é o grande plano, o sentido, o caminho (do próprio coelho ou da entidade misteriosa que a tudo governa).  O segundo, é que não são simples vandalismos, são protestos eloquentes à sociedade na qual Donnie está inserido, consequentemente às vezes mal interpretados, o que acaba gerando aquela agoniazinha dualista de “afinal, o coelho é bom ou mau?”

O filme segue com questionamentos sobre viagem no tempo, mundos paralelos, etc., citando principalmente um livro do Stephen Hawking, e um da Roberta Sparrow, que aliás aparece como um personagem do filme. O personagem de Roberta Sparrow é apelidado pelos jovens do lugar de “vovó morte”, uma espécie de velha dos gatos (sabe, aquela dos simpsons…) com alzheimer e de longe foi o personagem que mais me cativou, mesmo não tendo muito destaque no filme, apesar da gigante importância.

Antes que eu precise de um dos avisos anti-spoiler do wikipedia, vou parar de falar sobre partes do filme e comentá-lo como um todo (mas se alguém quiser spoilers a lot pode acessar este outro post de Rodrigo Ghedin AQUI.

É um filme que questiona atitudes e consequências, da mesma forma que Efeito Borboleta, A Máquina do Tempo, entre outros. Discute também vida e morte, e o gap entre as duas extremidades, pelo que vale a pena lutar, do que é feito o mundo, etc.

Tem uma partezinha de romancezinho meio melodramático, mas não desmereça o filme apenas por isso, ele tem muito mais a oferecer.

Eu sei que até agora não coloquei nenhuma imagem do filme, mas era para parafraseá-lo, deixando o impacto para o final. Eis aqui o coelhinho simpático que grudou na minha retina na noite do último sábado (a ponto de ter de assistir Bob Esponja para parar de pensar e dormir), Frank.

E O diálogo do filme: “Por que você fica vestindo esta etúpida fantasia de coelho?” “Por que você fica vestindo esta estúpida fantasia de homem?”

E, como não podia faltar: “Todas as criaturas morrem sozinhas.”

Se alguém não entender o filme, tem um esqueminha que explica tudo detalhadamente (e de forma nada formal). Você pode encontrar o esqueminha clicando AQUI.

fecha a sessão cabeçuda.

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